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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Sobre relacionamentos, amores e borboletas


O amor é um dom gratuito. É como escreveu Paulo ao povo de Corinto. Mas, as vezes confundimos o amor com uma coisa meio próxima: a paixão. É algo como confundir a lagarta com a borboleta.

A lagarta é um estágio anterior à borboleta. Nenhuma borboleta nasce bonita, colorida, levando pólem de uma flor na outra. Antes disso, ela é casulo e antes é lagarta. A lagarta por sua natureza devora as flores, folhas que estão à sua volta. Precisa alimentar-se.

Quando, depois de muito devorar, está preparada, a lagarta passa a fazer um casulo - de seda - ao seu redor, para proteger-se durante a sua metamorfose. E então, a lagarta devoradora torna-se uma colorida e voadora borboleta.

Talvez isso diga bastante do que nós somos. A paixão (que ainda não é amor) deseja tudo e não pode prescindir do ser amado. Devora-o com coração, mente e corpo. Deseja. Queira. Exige. É uma fase. E algum momento surgirá o tempo de tudo isso se faça ceda. E então, venha a metamorfose para o amor. Ou, pode decidir não fazer o casulo e devorar o que puder, até que logo termine.

A borboleta também morre, mas o que ela fez permanece, nas novas flores que nasceram.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Gente, Felicidade e Bolhas de Sabão

Muita gente espera ser feliz ao lado de outra. Mas, da mesma forma que ficam tensos os tímidos quando são cobrados em público, tensos ficam os relacionamentos quando se cobra que eles tragam o que a gente espera.

A felicidade por definição é indizível, já dizia o poeta. Mas, sabe-se que não combina com cobranças ou tensões. Felicidade não vem encaixotadas em "namoros", "casamentos", "amizades", "projetos". E nem mesmo eles são produtos com defeito quando não têm a felicidade como componente.

Desse modo, melhor pensar na felicidade, no plural: felicidades, como bolhas de sabão. Que surgem frágeis, acabam logo, mas sempre se pode soprar outras. Assim, sem espectativas. Assim, não há perigo de frustração. E não dá de sobrar bolhas de sabào exigindo que apareçam, apenas, soprando-as.